sábado, 7 de junio de 2014

O pesadelo da Mão Furada

Nossa Senhora me disse
que me dêtasse e que dromisse
e que na' tevesse medo
nei da onda, nei da sombra
nei da unh' encutinhada
nei do pesadelo da ma' furada.

Como demostró Almeida Fernades en su Toponímia Portuguesa, los nombres de lugar Mão Poderosa y Alto da Mão Furada (Várzea da Serra) parten de las formas apocopadas Mampedrosa y Mamfurada (de "mamoa petrosa" y "mamoa furada"). Designan túmulos megalíticos, y se acompañan de unos calificativos que hacen referencia a la cubierta pétrea de algunos túmulos, o al frecuente cono de violación que se les practicaba para extraer supuestos tesoros ocultos. Pero el sentir popular ya no entiende, desde hace tiempo, que el referente que designan sea algún túmulo, sino que imagina una mano poderosa o una mano horadada. En Galicia aparece el topónimo As Maus en contexto megalítico (necrópolis de As Maus de Salas), y aunque Bascuas creía ver una base hidronímica paleoeuropea en él a partir de la forma medieval Asmanus (1024), también podría defenderse que el testimonio medieval es una latinización de As Maus, plural que partiría de la forma apocopada de mámoa > man / mao / mau.

Para el imaginario celtoatlántico, los túmulos megalíticos, sobre todo los furados, son puertas abiertas de un terrorífico inframundo por donde circulan seres atávicos y diabólicos, los muertos. Así, ateniéndonos al dato que nos ofrece Almeida Fernandes, resulta convincente sugerir que el nombre del infernal personaje del folklore portugués, conocido como fradinho da mão furada, proviene, no de tener el demonio una mano perforada, sino de habitar una Mamoa Furada o Mão Furada. De hecho en el folklore no aparecen personajes infernales con manos horadadas, y sí es la tónica general que estos habiten en los túmulos


O fradinho da mão furada. Novella diabólica (Archivo Pittoresco, 1862) relata las aventuras de un soldado llamado Peralta, que haciendo noche en unas extrañas casas abandonadas, para más señas cerca de la megalítica Évora, despierta a su habitante... Pero esta historia, como dijimos arriba, es anterior, pues arranca del antiquísimo y rico folklore lusitano que estudia Leite de Vasconcelos en Tradições populares de Portugal. Ahí encontramos que el fradinho tiene "arracadas nas orelhas".

Diablo cornudo del Pilar de los Nautas.

4 comentarios:

Archeoten. dijo...

O fradinho da Mão Furada é o que nos chamamos trasno (não o Pesadelo que e outro tipo de ser mítico que o que faz e oprimir o peito dos que durmem), uma das formas de evitar que o trasno moleste fazendo ruídos pelas noites é botar grãos de cereal no chão porque o trasno/fradinho tem que recolhe-las uma por uma e conta-las mas ao ter a mão um furado na mão a medida que as vai apanhando vão-lhe caindo ao chão e não da terminado, pelo que termina desesperando e deixando aquela casa.

Em resumem sim existem seres míticos (o trasno e entendido como o demo menor) no folklore ;-)

O nome fradinho procede de que este trasno tem uma indumentaria com um capuz ou capa longa com capuz (algo similar ao gorro dos ananinhos dos contos de fadas) que a gente lhe recordava ao hábito de um frade. Por por exemplos galos eu miraria mais para os genii cucullati

Andregoto Galíndez dijo...

Paréceme que non, que o fradinho é o pesadelo, un íncubo, a nightmare. Non fago máis que atopar oracións para cando vas deitarte que axudan a exconxurar ao pesadelo da man furada, a que puxen no post, e estoutra: "San Bartolomé me dijo / que me acostara en mi cama / y que no tuviera miedo / a la pesadera mala / que tiene la mano jurada". Ao que me refería é a que o seu apelativo "da man furada" podería vir de proceder o trasno dunha mámoa furada, porque seres demoníacos coas mans furadas (aparte destes) non che coñezo máis.

Archeoten. dijo...

"que tiene la mano jurada" é uma errata, aqui poe "jurada", acho que neste caso pode haver uma asimilaçao entre o pesadelo e o trasno, mas a mão furada e um risco originalmente do trasno.

Acho que a mão furada apareçeu como uma explicaçao popular de porque era eficaz o rito de espantar ao trasno votando graos de cereal no chão (tenho alguma hipotese -tendo em conta algum rito parecido portugues situado noutro contexto- do origem deste rito e de qual pudo ser a origem dos terrores nocturos do fogar tipo trasno, ou pesadelo)

Por outro lado o contexto destas lendas e domestico, o trasno (em quanto demo bulreiro) pode aparecer nos caminhos, ou de volta do muinho também mas não recordo nunca que o folclore galego ou portugues asocie ao trasno, ou o pesadelo com os tumulos megaliticos: a fim de contas este é territorio dos mouros ;-)


Andregoto Galíndez dijo...

Si, non queda moi clara a invasión do pesadelo no territorio dos mouros (aparte a etimoloxía mão furada = mámoa furada). Por certo que jurada non é unha errata, é a pronunciación aspirada da f- inicial, que conflúe coa jota do castelán.